sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"MaiteMago"

O que é que a Maite Proença e o Saramago tem em comum, além de não gostarem de Portugal e quererem publicidade gratuita?
Têm 7 milhões a dar-lhes importância, quando eles não merecem nenhuma.

E, mais não digo. Não faço parte dos 7 milhões.

domingo, 11 de outubro de 2009

Estar “ on” no Jornalismo



Dizem os especialistas que não há meio mais volátil que a Comunicação Social. Mudam-se os grafismos, mudam-se as chefias, mudam-se as histórias, as personagens.
Neste momento, trocam-se o virar da página pelo clique do computador e o cheiro a tinta pelo ecrã cheio de dedos. Ninguém sabe o que se está a passar.
Cada vez mais, as redacções estão reduzidas. O fotógrafo é substituído pela máquina digital que acompanha o jornalista. O estagiário filma, edita, fotografa e ainda escreve em tempo real. Depois, temos um on-line gratuito que se faz quase instantâneo sem aprumo nenhum e muitas vezes carregado de erros ortográficos. Não há exigência nem qualidade. Será este o futuro do jornalismo?
Há também a questão do preço. Um jornal custa cerca de um euro e mal acabado de sair do forno, já não está fresco. Depois, a estes problemas todos acrescenta-se o da interactividade que os jornais não permitem.
Quanto a nós, estudantes de jornalismo, resta-nos acompanhar esta corrida, que está longe da meta, e estarmos atentos à fuga de informação constante na internet, que fará com que o jornalismo seja mais exigente.
Agora, não podemos compactuar nem com o jornalismo gratuito nem com trabalho precário. Nós temos de valorizar o nosso trabalho e temos de ser bons para merecermos ser bem pagos!Se o meu trabalho é bom, porque carga de água vou trabalhar de graça?

O Público tem certeza



O Público costuma destacar-se. Desta vez, foi o único jornal do mundo a ter a certeza que de facto o presidente dos Estados Unidos mereceu o Prémio.Vejamos, ao lado na foto, que nem sequer coloca a opção não merece.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Entrevista | João Paulo Meneses, jornalista da TSF


«João Paulo Meneses, jornalista , recebeu o Na Linha dos Media nas instalações da TSF no Porto. Sem papas na língua, rasga os caminhos futuros do jornalismo»


Já deu aulas na escola superior de jornalismo do Porto, agora dá aulas no ISLA, o que é que pensa da licenciatura de jornalismo?
Não há um curso genericamente. Cada faculdade tem o seu curso. Obviamente que os cursos de comunicação são muito importantes porque sem eles o acesso à profissão não faz sentido. O acesso deve-se fazer através duma licenciatura na área da comunicação. O jornalismo está a passar por uma grande transformação que há 30 40 anos não acontecia. Devem estar preparados para a realidade digital e empresarial. Antigamente, os alunos concluíam o curso, enviavam os currículos e eram chamados. Hoje, esse sistema, não faz sentido, as pessoas têm de ser activas criar as próprias empresas, serem dinâmicas. E os cursos têm de conciliar três áreas, o jornalismo genericamente, o mundo digital e a área empresarial para serem potenciais empregadores.


É éticos os cursos formarem profissionais ligados ao jornalismo e ao marketing?
É ético porque os cursos não formam jornalistas profissionais, formam licenciados. Quanto mais ferramentas tiverem para na sua vida futura se “ safarem”, melhor.

O vídeo não matou a rádio, a internet vai conseguir?
Eu acho que a rádio de música sim. Mas, a rádio de palavra não porque a palavra é insubstituível. As pessoas entram no carro e não tem outra alternativa. Podem ter a música gravada no ipod, mas não tem as notícias.


E a rádio enquanto espaço físico?
Vai. Não tanto como espaço físico, mas mais como sistema de transmissão. Neste momento, a rádio utiliza o satélite ou o FM. Obviamente, que a rádio vai deixar o sistema analógico para o sistema digital na internet. Daqui a 20 anos, já não há sistema analógico. O que existirá de rádio, será através da internet ,por exemplo, através de wireless no carro. A plataforma será totalmente digital.

E capaz de prever como serão os conteúdos da rádio daqui a 20 anos?
Os conteúdos serão os mesmos. Notícias, directos, ouvintes interactivos. Não acredito que haja novos conteúdos. A matéria-prima será a mesma.
O segredo estará na interactividade?
Não. O segredo está na internet e na digitalização. A digitalização, em geral, permite essa interactividade. O que sempre houve foi uma vontade inata das pessoas em participarem e que não era possível por causa do sistema analógico. Nós, hoje, se quisermos ligar para um jornal, temos de estar a procurar um número pequeno na ficha técnica. Digamos que os meios de comunicação social clássicos desincentivam a participação do consumidor. Na rádio, nem sequer há a carta do leitor como há nos jornais. E isto, acontece, porque os jornalistas estiveram sempre fechados, sobre si próprios, e acham que o contributo dos leitores é aborrecido. Só, que isso não impedia que as pessoas tivessem vontade de participar.


Essa participação, essa necessidade de entrar na blogosfera, o conceito de cidadão repórter, não acaba por ser “ mau” para o jornalismo?
Não há cidadão repórter. Isso é um mito e uma minoria. A blogosfera, isso sim, representa uma ameaça. Mas, fará com que o jornalismo seja mais exigente. Assim como, o público será mais exigente. Mas, vamos ter menos leitores de jornais que serão os mais ameaçados pela blogosfera. Os meios clássicos sofreram uma invasão que nunca tinha sofrido antes. E estou a falar em termos quantitativos.


Então o mercado não tem espaço para mais um jornal, como tivemos o I, e para mais dois gratuitos?
É difícil. Este jornal surge numa situação que cria espanto em toda a Europa. Numa altura, que se fala tanto dos jornais fecharem, de se despedirem jornalistas, este jornal surge em contra ciclo.

Será que acontece isso porque os jornalistas portugueses são “baratos” ?
Não. Eu acho que há um projecto para esse jornal e o investidor está disponível para sustenta-lo. É um caso à parte, não se consegue situar no contexto global. É uma estratégia empresarial dum determinado grupo económico.


As rádios estatais não distorcem o mercado?
As rádios estatais são cem por cento financiadas pelo estado. Obviamente, possuem muitos mais meios que qualquer rádio privada. Eles não gastam sequer o orçamento potencial que tem. Há uma certa concorrência desleal. Nomeadamente, quando contratam jornalistas. Podem pagar muito mais porque não há limite. O capital acaba por distorcer o mercado.


Acha que o governo devia, neste momento tão delicado do jornalismo privado, contribuir com ajuda monetária?
Não. Acho que o estado não se deve meter. Sempre que alguém dá alguma coisa, quer outra coisa em troca. A obrigação do estado não é ajudar . Agora, o estado pode evitar essa concorrência desleal, regulando melhor os seus próprios meios de comunicação.


Com as novas tecnologias, os licenciados terão mais oportunidades?
Os actuais licenciados vão ter menos oportunidade de trabalhar na comunicação convencional. Em 150 licenciados, 20 arranjarão emprego em meios convencionais. Os outros terão de pensar noutra forma.


E esses vinte o que têm de fazer, para serem os escolhidos?
Têm de ter sorte e serem muito bons, na capacidade de fazerem melhor, não o melhor a escrever as notícias, mas serem activos, desenrascados, irreverentes e ter um killer instinct. Também, quando digo muito bons, não me refiro ás notas. Ninguém quer saber das notas. Tenho cinco antigos alunos a trabalhar comigo, desses cinco quatro eram fracos. Devem ter uma cultura acima da média, fazerem coisas. Agora, há uma selecção natural e a faculdade não faz um jornalista. Vai se sendo jornalista no dia-a-dia. Ser jornalista não é saber escrever uma notícia, isso é uma técnica que aprendemos na universidade.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Dar Cavaco

Só, agora me vou pronunciar acerca disto porque considero que o que se tem vindo a passar é de extrema delicadeza e coloca em causa as duas figuras principais do estado Português, e claro, a imagem de Portugal.
Apenas tenho a dizer que o Presidente da República não pode continuar sem dar cavaco.Se for verdade que o Primeiro Ministro escutou o Presidente da República, então este deveria abandonar o cargo que ocupa.
Porém, também, é grave o que Cavaco Silva fez. Primeiro, se ele tinha receio de estar a ser escutado deveria expor as dúvidas junto da procoraduria geral da república e não num meio de comunicação Social. Além disso, Cavaco nunca deveria , como diz no e-mail, ter fornecido um dossier a um jornalista para que este investigue.
Quanto ao público, apenas tenho a dizer que ou o jornal mostra alguma isenção ou acabou-se a ideia que o público ainda era um jornal de confiança. E, claro está, alguém traiu alguém.
Na minha opinião, se Cavaco tivesse a certeza que estava a ser escutado já teria tomado as devidas precauções e se ele tem a certeza que sabe do que está a falar deveria esclarecer aos Portugueses. Quanto ao assessor, obviamente que actuou de acordo com o PR. Se calhar ao PR saiu-lhe o tiro pela culatra. Queria assustar e assustou-se.
Por último, é lamentável a forma como o DN publicou o e-mail. Foi o único, apesar de não ser o único a têlo, que publicou o e-mail. Na minha opinião, o DN nunca deveria ter deixado a nu as fontes do público. Mas, obviamente que cada jornal segue a linha editorial que pretende.